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cód.: 2026513572

O amor dorme no peito

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Ficha técnica:
Título: O amor dorme no peito - antologia de contos homoeróticos
Autores: Alexandre Bonafim, Alexandre de Almeida, aramyz, Bruno Andrade, Bruno Couto, Everton Rocha, Fabiano Vaz, Felipe Guimarães, Franck Santos, Gabriel Alvarenga, Gabriel Marinho, Genisson Paes, Joaquim Coelho, Jorge Nogueira, Jozias Benedicto, Júnior Ratts, Kaio Phelipe, Marcos Samuel Costa, Marcos Well, Pedro Augusto Baía, Rafael Amorim, Wellington Ruan
Gênero: Contos
Organização: Genisson Paes e Marcos Samuel Costa
Projeto gráfico: Marcelo Nunes
Ano de publicação: 2026
Edição: 1ª
Dimensões: 14 x 21 cm
Acabamento: brochura
Número de páginas: 276
ISBN: 978-65-83074-70-6
 
El amor duerme en el pecho: por uma leitura afetiva dos corpos e do erotismo homoafetivo
A primeira edição desta antologia de contos homoeróticos intitulada O amor dorme no peito é constituída por autores que habitam, sobretudo, o Norte e o Nordeste do Brasil, assim como em outras regiões. Pensamos em fazer o movimento inverso – do comumente –, ou seja, fazer uma reunião a partir do Norte do país, estando cada um em sua cidade de trabalho e estudos, origem e vivências: Genisson, Parauapebas e Cametá; Marcos, Belém e Ponta de Pedras, ambas no Pará. A nossa intenção, dois amazônidas, um do Marajó (PA) e outro de Cametá (PA), foi de pôr em relevo vozes que não estão no “centro”, muito menos nas “margens”, mas nessa geografia dos afetos e produções, reivindicando espaços e possibilidades. Isto é, de lugares historicamente irradiadores de uma literatura cheia de urgência e beleza, mas que muitas vezes são tratados como fazedores de literatura regional e/ou militante, em um sistema que tenta reduzir nossas produções e percepções de mundo. Uma escrita que muitas vezes enfrenta diversas dificuldades para se fazer lida e para participar dos principais eventos literários do país.
Os contos se constroem a partir dos dilemas do universo homoafetivo e erótico, característica que faz parte das identidades dos autores aqui apresentados e que ainda é considerada crime passível de morte em muitas sociedades que condenam, torturam e estigmatizam aqueles que não pediram para nascer do jeito que são, ou seja, os que se deitam com outros homens, fazendo-se ainda mais homens, mas que se aceitam e que só querem ser plenos, assim como todo mundo.
Nesse ínterim, os contos passeiam pelo primeiro amor; por aventuras no trânsito da cidade ou em uma zona rural distante; por traições e desejos suprimidos durante um final de semana; pela decepção de ser ferido por quem se ama; pelo suor que atravessa o pescoço; pela porra que desce o ralo.  Amar e ser amado, essa força que nos tira e nos coloca no chão, que transborda, tira as direções, ultrapassando os medos, as dores... É o que todos merecemos.
Não podemos deixar de falar da curadoria e dos convites. De princípio, contatamos os autores que já conhecíamos e lidos por suas produções voltadas para essa temática e por assumirem e reivindicarem esse lugar-debate social-político no fazer literário. O segundo momento, após os contatos iniciais, foi o convite duplo de indicar outros autores que poderiam se encaixar na proposta da antologia, e assim fizemos. Sabemos que podem ter ficado excelentes autores fora da antologia, dadas as nossas limitações, mas nos esforçamos muito por algo que fosse o mais amplo possível, que mostrasse vozes de vários espaços e lugares desse imenso país.
Outra coisa que vale a pena dizer é que não fizemos uma chamada aberta. Foi um processo quase de formiguinha, conversando um por um com os autores. Depois veio a questão editorial. Apresentamos a proposta para a Nauta e fomos muito bem recebidos desde nossa primeira reunião de alinhamento. Ficamos profundamente tocados em como o editor abraçou a causa e ficou feliz com o projeto. Pois sabemos que ainda há muita dificuldade de escoação desse tipo de proposta. A ideia partiu do Marcos, que convidou logo em seguida o Genisson, que não apenas aceitou, como movimentou muito todo o projeto. O que poderia ter ficado no campo das ideias foi ganhando corpo com o entusiasmo de Genisson.
Outro ponto relevante é quanto à escolha do gênero: optamos pelos contos, pois Marcos é bem mais dos poemas, e Genisson, por outro lado, da prosa – especialmente dos romances. Então pensamos os contos como uma opção de meio de campo, em que ambos poderiam somar e trazer sua colaboração, leitura e curadoria. Nessas breves narrativas, estamos lado a lado, sonhando junto e buscando possibilidades maiores.
O título deste livro foi emprestado do poema “El amor duerme en el pecho del poeta”, presente em Sonetos del amor oscuro, do poeta e dramaturgo espanhol Federico García Lorca (1898-1936). Esta é uma singela homenagem a este autor que teve sua vida encurtada durante a Guerra Civil Espanhola e que amava homens, assim como milhares de pessoas espalhadas por este vasto mundo e que só querem ser respeitadas e ter o direito de aproveitar a vida do jeito que lhes convém.
 Ficamos pasmos, pois estes contos são um luxo. Por isso agradecemos a cada autor que tornou possível esta coletânea, bem como ao Marcelo Nunes, editor da editora Nauta, uma pessoa destruidora e que embarcou conosco nesta jornada carregada de leques, purpurina e lacração.
Uma boa leitura a quem ousar segurar este babado, e que a deusa, o amor e o glitter estejam convosco e no meio de nós, tá, meu bem! Um coió a todo e qualquer tipo de preconceito!
- Marcos Samuel Costa e Genisson Paes

 

 

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